A minha entrevista ao Jornal da APICCAPS

1 – Como nasceu o projeto Runway MAG?
Enquanto jornalista/ correspondente de moda portuguesa para o Brasil, fui durante alguns anos integrada na Imprensa Internacional da ModaLisboa. O contacto que esta me proporcionou com colegas da imprensa de moda estrangeira levou-me a constatar não só o interesse como o reconhecimento do talento e qualidade dos nossos designers.
Por outro lado, o contacto directo com os designers permitiu-me ter consciência da “lacuna” existente na comunicação/ informação de moda nacional, que me pareceu necessário colmatar. Nesta altura, era frequentemente abordada por estudantes de moda que invariavelmente me pediam ajuda para trabalhos de pesquisa por não haver informação disponível.
Aliando estes factores ao meu gosto pessoal pela moda portuguesa e ao trabalho que desenvolvia para publicações brasileiras, e de certa forma influenciada por uma realidade que já conhecia bem (os portais de moda do Brasil) nasceu no final de 2009 a primeira versão do portal de moda Runway MAG.

2 – O que torna a Runway MAG num dos melhores projectos editoriais online da actualidade?
Só posso associar o reconhecimento que a Runway MAG tem tido ao facto de ser uma plataforma bastante completa, onde os leitores podem encontrar informação tanto sobre eventos e designers conceituados como sobre novos criadores e talentos emergentes.
Seja pelo conteúdo ou pela mensagem, tento mostrar para além das aparências e quebrar os “paradigmas” de futilidade e superficialidade que estão associados à moda. A minha visão da moda como objecto de estudo e reflexão para além da “ditadura” das tendências, mas antes, como linguagem codificada intrínseca a uma forma de comunicar. A moda, enquanto montra de uma sociedade num determinado contexto histórico, social e cultural, reflexo de comportamentos. É esta a visão “antropológica” que tento passar.
Representação visual, manifestação e interpretação inerente à cultura contemporânea. Um mundo de sonho e ilusão que pode ser bastante pragmático e interventivo.

3- Acha que a moda portuguesa tem evoluído nos últimos anos?
Sem dúvida que tem evoluído, apesar de inúmeras limitações económicas a que não podemos ficar indiferentes. Em Portugal há talento, criatividade e empreendedorismo. Falta na minha perspectiva o devido reconhecimento por parte da população em geral e a desmistificação de que “o que vem de fora é que é bom”.
Penso que a moda deveria ser democratizada, e que o público consumidor devia estar mais atento e aberto à produção nacional.

4 – Quais são os seus criadores de eleição?
Luís Buchinho; White Tent e Aleksandar Protic.

5 – Que opinião tem do sector do calçado em Portugal?
O sector do calçado em Portugal é um exemplo de competência, competitividade e concretização que devia ser seguido pelo sector têxtil.

6 – No essencial acha que o calçado português tem uma boa imagem?
Tem uma boa imagem e uma excelente comunicação para o exterior. O calado português está na moda, não apenas pela qualidade inegável que lhe é justamente reconhecida, mas pela divulgação desta qualidade.

7 – Quais são as suas marcas de calçado preferidas?
São várias, dependendo do estado de espírito ou da situação. Gosto das linhas futuristas e arquitectónicas da Guava, da elegância e sofisticação de Luis Onofre, do espirito revivalista da Sanjo, das botas da Goldmud e da Nobrand…Da ultima colecção, gostei especialmente de umas botas vermelhas Dkode.

 

Entrevista a Inês Soares para o jornal APICCAPS
Foto: João Bacelar/ Modalisboa

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