Entrevista a Elisabeth Teixeira

 

 

  1. Como define a sua identidade enquanto criador de moda?

 

A minha identidade está ligada ao romantismo, conjugando peças femininas e elegantes com o desportivo clássico. Gosto de combinar peças, misturar materiais, criar contrastes e jogos que não são habituais. Ter crescido em Paris influenciou-me muito. O hip hop, os grafitis, a música…Paris é uma cidade com muita mistura de pessoas e culturas. Ter vindo para Portugal, que é muito mais tradicional e todo esse contraste cultural que vivenciei, reflecte-se no meu trabalho. Agrada-me conjugar o moderno e o clássico. Trabalhar materiais de alta-costura em peças desportivas, e vice-versa.

 

  1. Quais são as suas principais influências/ referências?

 

Musica, cinema, arte…e a minha própria vida. As minhas colecções têm sempre a ver sempre o que se passa na minha vida. Esta ultima reflecte a música que ouvia nos anos 90, e foi um relembrar da minha adolescência.

 

  1. Qual é a mensagem implícita nesta colecção?

 

Esta é uma colecção mais divertida. Tentei fazer uma colecção mais comercial, mais jovem, mais fresca. A mensagem é que temos de nos sentir bem com a roupa e é uma colecção alegre porque nos tempos que correm precisamos de nos animar um pouco. Esta colecção transmite esse optimismo, faz-nos sentir bem e ao mesmo tempo elegantes e bonitas. São peças confortáveis que podemos usar para trabalhar, para sair, são muito versáteis.

 

  1. Quais são os principais desafios/ obstáculos impostos pelo contexto actual a um jovem designer de moda em Portugal?

 

Em primeiro lugar é o dinheiro porque uma colecção fica muito cara. Esse é o factor que nos limita mais, mesmo ao nível da criatividade. Fecham-nos muitas portas por ser criador. Os fornecedores têm algum receio em apostar em nós porque sabem que não lhes vamos trazer muitas vendas e que não podem contar com grandes produções da nossa parte. Acabam por nos descartar um pouco. Eu consigo fazer parcerias com têxteis porque tenho o apoio da fábrica onde trabalho. Sem a indústria portuguesa não conseguimos avançar. Tem de existir uma relação de proximidade com fábricas, confecções e tecidos como temos com a APICCAPS para os sapatos. Quanto mais utilizarmos materiais nossos, melhor será também para a economia portuguesa. Actualmente é muito difícil fazer essas parcerias.

 

  1. Um momento/ experiência que tenha tido uma importância determinante no impulso da sua carreira:

 

A entrada no Portugal Fashion foi o início de tudo. Comecei nos Jovens Criadores, estive vários anos no Colectivo, passei para desfile duplo e mais tarde desfile individual. A minha entrada neste evento aconteceu através de um concurso do Programa Aliança, em que fiquei em 4º lugar. Neste concurso, quem ganhasse prémios, para alem de conseguir entrada no Portugal Fashion, tinha o apoio de uma fabrica e apoio financeiro para a realização de uma colecção. Foi a partir daí que comecei a fazer algum nome.

 

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