NEW GENERATION – Mafalda Fonseca


1 – Como surgiu a moda na sua vida: Poderia falar-nos um pouco sobre o seu percurso?

A moda surgiu de forma muito natural e esteve sempre presente na minha vida. Desisti do curso de Direito e inscrevi-me no curso de Design de Moda do CITEX (atual MODATEX) no Porto. Durante o curso percebi que tinha uma tendência natural para o menswear. Estagiei no Atelier des Crèateurs, no Porto onde tive a possibilidade de aprender bastante sobre alfaiataria. Em Outubro de 2012 apresentei-me pela primeira vez no Espaço Bloom com a coleção de final de curso, em representação do MODATEX e tive exposto um coordenado em parceria com a Sofia Macedo, depois de termos sido laureadas com o 2º prémio do concurso de alfaiataria L’Aiguille d’Or, promovido pela Savoir Faire e pelo Atelier des Crèateurs. Fiz estágio extra curricular com o designers de moda Ricardo Dourado e Luís Buchinho. Atualmente trabalho na indústria têxtil, na Petratex, onde tenho adquirido imensos conhecimentos.

 

2 –  Quais as suas principais influências criativas e correntes estéticas com que mais se identifica:

Uma das minhas principais influências criativas é sem dúvida a visão que tenho do meu grupo de amigos, durante o processo criativo tenho sempre presente a imagem deles, a maneira como os vejo, o estilo de vida, percurso, história de cada um; no fundo tento retrata-los contando uma história e vestindo-os de acordo com essa história. Outra das influências significativas é a alfaiataria e em contraste busco sempre alguma inspiração no sportswear assumido. No que toca à estética surge naturalmente o interesse pelo minimalismo, trabalhando sempre linhas direitas e blocos de cor, havendo uma crescente preocupação com o lado gráfico das peças, que se reflete mais neste nova coleção, com a introdução de alguns prints.

Também em contraste com a estética minimalista há o lado mais cru e industrial que vou buscar ao estilo musical assim como ao tipo de fotografia urbana que aprecio.

 

3 – Moda: Identidade ou globalização?

 Cada vez mais a moda é globalização e não podemos simplesmente ignorar isso. Temos que conseguir adaptar a nossa identidade na moda à realidade atual. Perceber quais são as necessidades de consumo na atualidade não significa colocar de lado a mensagem que queremos passar, o que muda é que essa mensagem tem que ser muito mais forte e rápida, assim como a capacidade de resposta.

 

4 – Próximos desafios e projetos:

Neste momento o principal desafio é conseguir continuar a conciliar a minha marca com o meu trabalho na indústria têxtil, só assim conseguirei ter a disponibilidade financeira para prosseguir com o meu projeto.

 

5 – A sua peça preferida (desta coleção) e porquê.

A peça preferida desta coleção é o Polo em pele do primeiro coordenado uma vez que foi a primeira peça da coleção a ser desenhada e foi a partir daí que nasceu todo o jogo gráfico, a ideia de patch, assim como a questão do fitting e comprimentos. Esta opção deve-se também ao facto de ser num material com o qual tenho sempre trabalhado e explorado, a pele. Penso que esta peça consegue traduzir o conceito desta coleção e a imagem do rapaz que eu pretendo passar.

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