New generation: Daniela Barros, Catarina Cerqueira, Eleutério e Mia, Andreia Lexim

Talentos emergentes. Nomes em ascenção que a pouco e pouco se vão tornando conhecidos do grande público. O sangue novo da moda portuguesa afirma-se e parte agora à conquista dos mercados internacionais. Plataformas incontornáveis para a visibilidade dos novos designers, o Espaço Lab da ModaLisboa e Bloom do Portugal Fashion são hoje uma referência e a porta aberta ao futuro.
Daniela Barros, Andreia Lexim, Catarina Cerqueira (SAYMYNAME) e Os Burgueses  (Eleutério e Mia) falam sobre o processo criativo, projetos, o contexto atual e as suas propostas para a próxima estação.

 

Daniela Barros

1 – Como funciona para si o processo criativo?

O processo criativo é muito amplo e um pouco difícil de definir por passos rigorosos porque não existe um momento vazio ou nulo. É um processo constante, evolutivo e insatisfatório.

2 – Em que medida o contexto atual do país influencia ou não a sua criatividade?

Não influencia a criatividade, mas condiciona as parcerias com empresas ou mesmo a aquisição de materiais mais específicos.

3 – Qual a mensagem desta coleção?

É uma coleção jovem, mas na qual está sempre eminente a mulher austera sombria mas delicada e feminina, a relação corpo/proteção é o ponto fulcral da coleção, algo sempre presente na historia humana de forma evidente ou dissimulada.

4 – Como é ser um jovem designer de moda em Portugal?

Cada vez mais sinto que o trabalho dos jovens criadores é acarinhado tanto pelo público quer pela imprensa, a nível comercial a dificuldade de afirmação está presente mas é um processo natural que tem que ser ultrapassado com obstinação.

5 – Objetivos e projetos: Onde gostaria de chegar?

Neste momento quero afirmar o meu trabalho com mais maturidade e chegar a um mercado global.

6 – A sua peça preferida (desta coleção) e porquê.

Os casacos, principalmente o bege devido à composição rígida e geométrica que o compõe contraposta pela luz e leveza da cor.

 

Catarina Cerqueira (SAYMYNAME)

1 – Como funciona para si o processo criativo?

Muitas das vezes começa por uma vontade e /ou pressentimento. As tendências e tecidos da estação dão muitas das vezes o mote para a criação da coleção que é feita por fases, à medida que os modelos vão nascendo, o cair do tecido, a modelação da peça, vão-me dando ideias para outros modelos.

2 – Em que medida o contexto atual do país influencia ou não a sua criatividade?

Acaba por ser um pouco contagiante, mas como trabalho essencialmente com o mercado externo em especial o asiático, com um poder de compra muito acima do Português isso permite-me ampliar a minha seleção de matérias-primas e formas.

3 – Qual a mensagem desta coleção?

A coleção foi inspirada no trabalho e mente de Victorine Muller – performista, pintora, escultora e artista sonora Suíça  onde nos diz que a criação, neste caso a roupa tem a capacidade  de nos transmitir emoções e quem a veste conecta-se com ela e transporta-se para um diferente estado de espirito.

4 – Como é ser um jovem designer de moda em Portugal?

Em Portugal existem “montras “ como a ModaLisboa ou Portugal Fashion que permite aos jovens designers divulgar o seu trabalho. Mas falta ainda o apoio e conhecimento do lado comercial que não se aprende nas escolas, a maioria não sabe faze-lo. No meu caso, a minha experiencia na área comercial e distribuição permite-me colocar a marca no mercado global e chegar ao público final.

5 – Objetivos e projetos: Onde gostaria de chegar?

Para o futuro pretendo aumentar os pontos de venda e a equipa de trabalho.

6 – A sua peça preferida (desta coleção) e porquê.

O blusão rosa chiclete. Gosto do facto de ser uma peça exterior mas transparente e leve.

 

Eleutério e Mia (Os Burgueses)

1 – Como funciona o processo criativo?
Começamos sempre por levantar uma questão e depois pesquisamos as suas possíveis respostas. Dado que o mundo nos apresenta caminhos sempre tão díspares, cada coleção acaba por ter a sua própria metodologia e isso agrada-nos. Não gostamos de pensar nas coisas sempre da mesma maneira. 
2 – Em que medida o contexto atual do país influencia ou não a vossa criatividade?
Influencia o mesmo que qualquer outro contexto, já que tudo o que nos rodeia nos influencia.
3 – Qual a mensagem desta coleção?
Acredita no que vês e sentes… sem “pré conceitos”.
4 – Como é ser um jovem designer de moda em Portugal?
Ser “jovem” não está fácil, a moda está qualificada como uma das três profissões mais difíceis do mundo e Portugal está como todos sabemos, mas foi este o desafio que escolhemos (sorriso rasgado de felicidade). 
5 – Objetivos e projetos: Onde gostaria de chegar?
Internacionalizar a marca é um grande objetivo que temos. Depois existem todos os outros…
6 – A sua peça preferida (desta coleção) e porquê.
As camisas brancas com os prints inspirados no teste de Rorschach.

Andreia Lexim

1 – Como funciona para si o processo criativo?
Para mim o processo criativo passa por estar atenta às coisas mais banais e às coisas mais extraordinárias. Escolho algo que me toca, vejo quais as potencialidades para se tornar uma inspiração/ a base do trabalho. Uma coleção é algo transmutável, o resultado nunca é aquele que se pensou inicialmente.
2 – Em que medida o contexto atual do país influencia ou não a sua criatividade?
Não só o contexto actual do país, mas tudo o que acontece nas nossas vidas influencia o modo como vemos as coisas. Adoraria que a criatividade ficasse intocável, pois é parte essencial do nosso trabalho. Sei que o contexto actual não me deixa evoluir tão depressa como gostaria, mas “devagar se vai ao longe”.
3 – Qual a mensagem desta coleção?
Inspirei-me no minimalismo dos anos 60 e no trabalho do Richard Serra, as esculturas e as exposições de pintura que ele fez, usando apenas preto e branco e alguns apontamentos de cor. Inspirei-me nas texturas de algumas esculturas que eram provocadas pelo próprio ambiente, estavam a ficar degradadas, a pintura a lascar e isso deu-me a ideia de começar a pintar em tecido, explorei a técnica do stencil, com tinta 3d, pintei camisolas, luvas e meias.
4 – Como é ser um jovem designer de moda em Portugal?
É importante desmistificar esta questão do ser-se “jovem criador”, pois as pessoas associam logo a um trabalho amador, sem qualidade e esse preconceito está muito longe da verdade. De facto, somos jovens, ainda temos muito que amadurecer, que evoluir, mas existem atualmente novos designers a mostrar um trabalho excelente e de óptima qualidade, quer a nível de conceito, quer de materiais e confecção, que possivelmente serão o futuro.
5 – Objectivos e projectos: Onde gostaria de chegar?
Gostaria de ter a minha própria marca, mas esta não é uma boa altura para Portugal, a solução passa por vender para mercado estrangeiro. Também gosto bastante da área do calçado, gostava de desenvolver a minha própria linha, fazer colaborações com a indústria ou até trabalhar numa empresa de calçado.
6 – A sua peça preferida (desta coleção) e porquê.
O casaco entrelaçado em bouclet branco, com dois fechos de metal nas laterais na cintura e aberturas de lado que revelam um pouco de pele. Faz parte de um coordenado de que gosto muito, tem um ar etéreo, ao mesmo tempo bastante marcante.

 

Abril 2013
Published in Portuguese Soul

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